sábado, 19 de janeiro de 2008

SARGENTO MARTINS E SEU GRUPO DE EXTERMÍNIO.






Cuidado com este cara.


Veja só o que ele aprontou des de 1985 nos fatos abaixo.




22.07.1995.



Informação dada por Sociedade Interamericana de Imprensa.





fotografias da extinta gazeta da bahia de Paulo Afonso-ba.





texto Por Clarinha Glock
































Caso Nivanildo Barbosa Lima
Redator do jornal Ponto de Encontro,






de Paulo Afonso, na Bahia








Desapareceu em 20 de julho de 1995






e foi encontrado morto em 22 de julho de 1995















Foi num quinta feira dia 20 de julho de 1995 que Nivanildo






Barbosa Lima com 27 anos de idade na época,






saiu as 900hs da manhã de sua residência






com destino á Igreja Nossa Senhora do






perpétuo Socorro onde iria participar de






uma reunião e realizar alguns trabalhos. Passou em






frente ao sindicato dos Bancários e disse






aos colgegas que após as tarefas viria para






aquele local, entretanto não retornou nem






foi para casa na hora do almoço. Ao anoitecer






seus pais e familiares entraram em






pâniconico e fizeram várias buscas nos






prováveis lugares onde´´Niva´´ poderia






se encontrar , mas, tudo em vão.






No dia seguinte, os familiares mobilizaram






a polícia para novas buscas, mas infelismente






nenhuma pista, a não ser uma informação






de um amigo da família que o viu de






mãos dadas com uma mulher de






aproximadamente 30 anos de idade na quinta feira,






época do fato.















Clima de Tensão








A tensão foi aumentando a cada hora,






a cada minuto e nenhum sinal de Nivanildo.








Na sexta feira 21 de julho de 1995,






por volta das 1600hs o telefone toca na casa de






sua mãe, dona Nena Cabeleleira,






situada á Av. Getúlio Vargas.






Era uma voz que dizia






para Nivânia, irmã de Nilvanildo






que ele estava amarrado e sofrendo na casa






onde funcionava o varandão






e que estava em companhia






de uma mulher branca






e três homens. Com isso a






família acionou a polícia






que se dirigiu até o local,






mas nada encontraram.






Anoitece mais uma vez e nada






de novidades.As esperanças de encontrar






Nivanildo com vida ainda não






haviam se apagado.






Uma corrente de orações






envolveu a todos os amigos,






parentes e familiares.






A preocupação era tamanha.






A busca incansável se






fazia a cada instante.






Muita gente se mobilizou






para encontrar Nivanildo.






Afinal, um jovem,






pacato, amigo, sensível e






companheiro, não podia se perder






simplismente, a questão






era mais forte e os






familiares começaram






a desconfiar que ele






poderia ter sido sequestrado.






Nivanildo não tinha






inimigos nem havia






saido acompanhado






de maus alementos.






As buscas continuaram






até a meia noite






de sexta feira, quando






praticamente todos os






lugares foram vasculhados.






No sábado 22 de julho de






1995, pela manhã dois rapazes






encontraram o corpo






de Nivanildo boiando na






barragem da PA-4.








Era realmente o jovem






que tanta gente estava






anciosa para que fosse






encontrado. A polícia






tomou conhecimento do fato






e comunicou a família,






que se deslocou para






reconhecimento do corpo.






Ao ser retirado para






fora do canal, foi






observado um profundo






golpe no ouvido






esquerdo como se






tivesse sido provocado






por um instrumento cortante,






mas foi constatado






pelos peritos em Salvador-Ba






que realmente as






partes feridas nos ouvidos






e no olhos esquerdo






foram provocadas pelos peixes,






entretanto, segundo






a autópsia realizada






em Salvador-Ba ,






Nivanildo foi afogado






por afixia mecânica,






isto quer dizer que






realmente houve crime.















Mutio Mistério








O resultado da perícia realizada






no Hospital Nair Alves de Souza,






em Pauo Afonso-Ba não convenceu






os familiares de Nivanildo que






imediatamente trataram






de levar o corpo para






autópsia em Salvador.






Além do mais haviam motivos






para que assim procedessem.






O corpo foi levado á






Salvador por conta






de uma caleta entre o






Capitão Carvalho Lima e






a então Prefeita de Salvador






Lídeceda Mata e do PC do B que






arrecadaram o valor de três






mil e quinhentos reais






da época para as despesas.















Ameaça de Morte








Há um mês de sua morte






Nivanildo entrou em contato






com o Padre Wilson, editor do Jornal






´´Pontode Encontro´´,






onde Nivanildo era






também redator e






contou-lhe que estava






sendo ameaçado de morte.






Do mesmo modo






telefonou telefonou para






a redação da Gazeta da






Bahia de Paulo Afonso-Ba






relatando que ´´que estava






sendo ameaçado e que a






pessoa que estava






ao telefone tinha uma voz






muito conhecida, entretanto






não podia adiantar o






nome porque tinha mêdo de






cometer uma injustiça caso não fosse






a pessoa que estava pensando´´.















Afogado ou Morto?








O telefonema recebido por






Nivânia é uma das provas






evidentes de que assim






não fosse, ele teria voltado






para casa e tudo não passaria de






uma pequena viagem, um






passeio ou coisa parecida,






entretanto, no dia seguinte seu






corpo estava inete sobre as águas da barragem PA-4.








A morte de Nivanildo deixou a






sociedade mais quieta do que nunca.






Nenhum ruído de maniferstações,






clima de revolta aparente ou coisa






parecida. Também pudera,






as ameaças continuavam e já há uma






lista de 8 pessoas que






podem ter a vida ceifada.








É preciso que seja dado






uma basta nessa situação,






para que as






pessoas possam ir e vir






sossegadamente,






sem serem molestadas,






feridas e terrívelmente






assacinadas. Quando é que essa






onda de crimes vai ter um fim?






























Um idealista apaixonado por Jornalismo















Jovem ingênuo e dócil.






Essa imagem foi o que






restou de Nivanildo






Barbosa Lima, 27 anos,






encontrado morto em 22 de julho de 1995






na represa Paulo Afonso (PA-4),






localizada na cidade






de mesmo nome,






no norte da Bahia.






O rapaz que queria






cursar Jornalismo e falar no






rádio, mas não teve






tempo de concretizar






seus sonhos, participava






ativamente do jornal






Ponto de Encontro,






da Igreja Católica, por






idealismo e vocação.






O tablóide registrava






a voz dos movimentos






populares e chegava






às cidades de Paulo






Afonso e da vizinha Glória






com denúncias sobre






os grupos de extermínio da região.








“Há quem diga que a






morte de Nivanildo






foi um aviso para a direção






do jornal”, acredita o






padre José Wilson






Andrade, que atuou na






Paróquia Sagrada






Família de 1991 até






fevereiro de 2002






em Paulo Afonso,






ajudou a fundar o






Ponto de Encontro,






e hoje faz o curso






de Mestrado em






Belo Horizonte. Toda






as pessoas que, de alguma






forma, fizeram críticas aos grupos






de extermínio, foram ameaçadas.






A revista Gazeta da Bahia






chegou a mencionar uma lista






deste grupo, que ficou conhecido






como “Os Sentenciados”.






Na lista havia nomes de jornalistas,






radialistas, religiosos,






sindicalistas - entre eles, o






de Nivanildo.








Ponto de Encontro






cumpria um papel de






oposição numa cidade






em que a maior parte






dos jornais e






das rádios estavam






sob a influência do






Partido da Frente Liberal (PFL).






Nivanildo ingressou na






equipe quando






o jornal foi ampliado e passou






a ter dois cadernos.






Ele era então um






militante do Partido Comunista






do Brasil (PC do B).






Escrevia uma coluna






de política e participava da






discussão de pautas.






“Nivanildo dizia que






o jornal não podia ficar






calado sobre o crime






organizado, embora






não escrevesse diretamente






sobre isso”, lembra o padre.






O próprio Nivanildo ajudou






a organizaruma passeata contra






os desmandos e os






assassinatos cometidos pelos grupos






de extermínio.








Desde criança o






rapaz mostrava um






interesse especial pelo






Jornalismo. Tinha






cursado apenas o






1º Grau, mas adorava






ler livros e jornais,






devorando-os com






a mesma voracidade






com que assistia






aos noticiários pela






televisão. Chorou






quando ouviu a notícia






da chacina dos






meninos de rua na frente da






Igreja da Candelária, no






Rio de Janeiro, e desabafou:






“Isso é uma injustiça”.








A família do rapaz, ainda






traumatizada pela forma brutal como ele






apareceu morto na represa de






Paulo Afonso, não quer dar






declarações. Quase 13 anos






depois do ocorrido, os pais






deixaram a casa onde viviam






quando Nivanildo estava vivo.






Confiam apenas na Justiça de Deus.








Ameaças antes de morrer








Familiares lembram que, às 8h






do dia em que desapareceu,






Nivanildo estava em casa






quando recebeu um telefonema,






passou a mão na cabeça e






disse “Meu Deus”. Depois,






falou que tinha de ir até a






Igreja Perpétuo Socorro.






E desde então nunca mais apareceu.








Na tarde do dia seguinte,






a irmã de Nivanildo atendeu






uma ligação de um homem.






Sem se identificar,






o homem afirmou que o






jovem estava amarrado no






Varandão (uma chácara próxima ao aeroporto),






com dois rapazes e uma moça.






Outra informação que






consta nos depoimentos






prestados à polícia foi dada






por um amigo da família,






que teria avistado Nivanildo com






uma moça loira, entre 9h30min e 10h






do dia em que desapareceu,






sem ter certeza se a mulher






estava acompanhando Nivanildo ou se os






dois “andavam casualmente”.








Por duas vezes, pelo menos,






Nivanildo disse ter recebido






ameaças. Numa reunião do Ponto de Encontro,






comentou com o padre Andrade: “Esses caras






estão querendo me matar”,






sem entrar em detalhes.






Na tarde antes de desaparecer,






Nivanildo ligou para






Aníbal Alves Nunes,






editor da revista Gazeta da Bahia,






e falou que estava sendo






seguido e que havia recebido






telefonemas avisando que






não deveria ter publicado






artigos sobre os grupos de extermínio.








Quando o corpo de






Nivanildo foi encontrado na barragem,






houve insinuações de que






ele havia se suicidado porque






teve uma crise existencial.






Os familiares e os amigos






sempre rebateram essa versão.








Os jornalistas e radialistas






que denunciaram os grupos






de extermínio em Paulo






Afonso, na mesma






época de Nivanildo,






também sofreram perseguições e






ameaças. O jornalista






Roberto Borges Evangelista,






44 anos, conhecido como






Beto Borges, em 2002






é assessor da Prefeitura de






Jeremoabo, na Bahia,






mas durante os anos 90






teve de sair de Paulo Afonso






para se manter vivo.






As ameaças eram uma represália






às denúncias que fazia






na rádio Cultura,






onde tinha um programa






de música e de notícias






policiais, e no jornal Opus,






em queele dizia abertamente os






nomes dos envolvidos nos grupos






de extermínio. Borges era






também membro do Conselho da






Comunidade da Comarca






de Paulo Afonso, que fazia o






acompanhamento das






condições dos presídios.








Durante um tempo,






recebeu “recados” para se calar.






A “gota d’água” que o






fez sair da cidade foi quando um dos






“clientes” do Conselho da Comunidade -






um preso que havia escrito






uma carta de dentro da cadeia






denunciando torturas






feitas pelo Sargento Martins -






apareceu morto,






semi-enterrado na






entrada da casa do presidente do






Conselho: estava






escalpelado com






facão e tinha as mãos cortadas.








Como Borges,






Luiz José Ferreira






de Brito, conhecido como






Bob Charles, saiu de






Paulo Afonso quando






as ameaças se tornaram






mais freqüentes.






Hoje é dono de um jornal






independente e






assessor de um vereador,






mas nos anos 90






trabalhava numa rádio em que






denunciava o






crime organizado, citando nomes.






“A polícia mandava






recados: você pode amanhecer






com a boca cheia de formigas”, recorda.








Aníbal Alves Nunes, editor






da revista Gazeta da Bahia,






sofreu dois atentados por






conta de sua persistência.






“Todo crime que






acontecia eu registrava, mas não






divulgava os nomes de mandantes,






por isso ainda estou vivo”,






avalia. “Eu divulgava






sistematicamente,






o que gerou a vinda de um grupo






de Salvador para






fazer o levantamento completo






sobre os crimes:






como matavam, como queimavam






os corpos - eram crimes muito semelhantes”.








Contexto político da morte








Em 1995, a cidade de Paulo Afonso, a 507 quilômetros






ao norte de Salvador, ainda vivia em torno da Companhia






Hidrelétrica de São Francisco (CHESF).






Tinha cerca de 80 mil habitantes (hoje são 96,4






mil, de acordo com o censo de 2000). A represa que






modificou o cartão postal da cidade, geralmente ilustrado






pela cachoeiras de Paulo Afonso, trouxe o






desenvolvimento para a região.








Com o fim das obras da barragem,






no entanto, os moradores






de Paulo Afonso passaram






a sentir os reflexos do desemprego.






“A CHESF, que empregava






em torno de 15 mil funcionários em 1995,






tem hoje em torno de 2 mil”,






diz Nunes, da Gazeta da Bahia.






Os cargos no comércio e na construção civil






são escassos. Nunes lembra






que uma boa parte dos






moradores foi embora, outros






se dedicam à pecuária,






à agricultura e aos trabalhos






nas cidades vizinhas. Mas






a agricultura na região é











irrisória devido aos longos






períodos de seca.






Ironicamente, o município tem uma






das maiores arrecadações






no Estado, devido à presença






da hidrelétrica.








Em meados dos anos 90,






os jornais e as rádios denunciavam






a atuação dos grupos de






extermínio na região. Nunes






explica que havia dois






grupos rivais na cidade. Um deles






era liderado pelo Sargento






Martins, hoje preso. O outro,






pelo capitão Carvalho Lima,






que morreu em um confronto






mal explicado pela polícia.






O capitão Carvalho Lima






chegou a ser vereador e






teve seu mandado cassado. Embora






um fosse subordinado ao outro, os dois se






desentenderam e começaram a denunciar a






participação recíproca em mortes e roubos na






região. Padre Andrade acredita que a morte de






Nivanildo pode estar associada ao fato de o jovem






ter sido arrolado, a pedido do capitão Carvalho,






como testemunha de crimes que teriam sido






cometidos pelo Sargento Martins.






Nivanildo teriainclusive dado uma






entrevista numa rádio acusando o sargento.








Martins foi condenado a 32 anos de prisão por duplo






homicídio, como mandante de outro crime.






Seu nome não é citado no inquérito da morte






de Nivanildo.






O juiz Abelardo Paulo da Matta Neto, da






8ª Vara Crime de Salvador, que foi juiz da Vara






Crime de Paulo Afonso de 1993 a 1997, lembra






que havia a suspeita de o sargento ser um dos






mentores do esquadrão da morte na região.






“Por falta de provas, ele não foi acusado por






sua participação no crime organizado -






a Justiça só trabalha com provas”, ressalta o juiz.








Pela Internet, o próprio Martins se defende






das acusações.






No site






amigosdosargentomartins.vilabol.uol.com.br/principal.html,






ele se diz um “líder perseguido por ter denunciado






um poderoso esquema de corrupção, furtos,






tráfico de drogas, além de outros crimes praticados






pelo capitão da Polícia Militar da Bahia, Carvalho Lima (...)”.








A repercussão causada pela morte de Nivanildo e o






crime ocorrido em Glória em que foi indiciado






o sargento Martins ajudaram a mudar a realidade






em Paulo Afonso. Rosalino dos Santos Almeida,






juiz titular da 1ª Vara Cível de Paulo Afonso e






substituto da Vara Crime em Glória, Rodelas e






Chorrochó (cidades próximas), trabalha na região






há 12 anos. Segundo Almeida, o sargento Martins






só foi preso porque uma testemunha do crime






praticado na cidade de Glória teve a coragem






de depôr contra o policial em um inquérito.






“O pessoal da igreja começou a levar as






vítimas para a promotoria, e não para a delegacia,






porque a Polícia Civil e a Militar






tinham medo do sargento”,






conta Almeida.






Com a prisão de Martins, houve também






uma reestruturação da polícia na região.








Almeida é a favor de mudanças no sistema de






investigação no Brasil. “É preciso criar uma






forma de apurar o fato o mais próximo possível






do ocorrido, senão as pessoas






se esquecem dos detalhes,






provas que podem ser






valiosas para a condenação






de quem praticou o delito -






aí é trabalho dobrado






e caso perdido”, reclama o juiz.






“Na maior parte






dos casos, as testemunhas






voltam atrás nos depoimentos”.








Morte de Nivanildo Barbosa Lima precisa ser investigada








O minguado inquérito policial aberto em 22 de






julho de 1995 para investigar a morte de






Nivanildo Barbosa Lima, redator do jornal






Ponto de Encontro, de Paulo Afonso,






na Bahia, é um reflexo do






desdém com que o caso vem sendo tratado






desde então. De concreto, existe apenas um






laudo de exame do cadáver feito no Instituto






Médico-Legal Nina Rodrigues, em Salvador, em






agosto de 1995, que constatou morte devido a






asfixia mecânica por afogamento. A polícia e o






Ministério Público aceitaram, num primeiro momento,






a versão de “morte natural” e não investigaram






outras prováveis causas. Em 26 de outubro de 1998,






a juíza Maria Auxiliadora Sobral Leite






decidiu pelo arquivamento do caso.







Em junho de 2002, o promotor de Justiça auxiliar






da Comarca de Paulo Afonso, Hugo Casciano de Sant’Anna,






resolveu dar andamento ao pedido de reabertura do






inquérito para apurar novas provas.






Um ano antes, uma outra promotora já havia pedido






que as investigações prosseguissem e que a po-






lícia colhesse novos depoimentos, o que não foi feito.






Questionada pela SIP, em novembro de 2002, a






promotora de Justiça de Paulo Afonso,






Izabel Cristina Vitória Santos, encaminhou ao






Coordenador Regional de Polícia de Paulo Afonso,






Celso Lima Bezerra, um pedido de informações sobre o






andamento das investigações criminais. Bezerra






encaminhou o inquérito para a delegacia de Paulo






Afonso para dar prosseguimento às investigações.








A pedido da SIP, o perito e professor de






criminalística e balística, Domingos Tocchetto,






que já colaborou para a solução de casos de






repercussão nacional, avaliou o laudo que






consta no inquérito sobre






a morte de Nivanildo. Segundo Tocchetto,






um laudo de asfixia mecânica é a maneira mais simples de






se descartar um inquérito. Mas quem garante






que o afogamento não foi provocado?






“Há uma série de pontos que precisam ser






esclarecidos”, acredita. Ele apontou algumas






dúvidas a partir da leitura do laudo do cadáver:















  1. No laudo diz que foram feitos exames de





sangue e análise das vísceras, além de alcoolemia






(e, segundo os dados da alcoolemia,






Nivanildo estaria bêbado).






Por que o resultado destes exames






não está anexado ao inquérito?






.......













2. Quando o corpo foi encontrado, houve boatos de que






ele estaria sem a língua, ou com a língua cortada. No laudo,






há uma descrição detalhada da boca, e não é mencionada






a questão da língua. Não foram ouvidas testemunhas






sobre esse fato.






3. As fotos que constam no inquérito aparentemente






foram todas feitas por um jornalista, Aníbal Alves






Nunes, e não por um perito. Nas fotos, Nivanildo






aparece sempre do lado esquerdo, onde






4. se vê lesões no supercílio e na orelha. Mas o laudo






aponta a “ausência do lóbulo






do pavilhão auricular direito






com destruição parcial”.






Por que as fotos mostram só






um lado se houve lesões






5.do outro também?






Tocchetto estranha estas lesões.






Por que os peixes iriam comer uma só orelha,






e deixar ilesas outras partes expostas do corpo?






6. No exame dos ouvidos consta “ausência de






pavilhão auricular esquerdo e lóbulo do ´pulmão`”.






7. O perito questiona se esse “lóbulo do pulmão”






seria um erro de digitação, porque está citado






junto com o exame da parte externa do organismo,






e não da parte interna.






8. O laudo identifica uma ferida na região nasal,






mas não explica qual a origem (em relação às






outras lesões, aponta como sendo possivelmente






causadas por animais necrófagos).






Há também uma lesão






irregular na região superciliar direita.






No laudo, consta que possa






ter sido causada por animais necrófagos.






Mas uma lesão deste tipo pode sugerir






também que Nivanildo






9. tenha sido agredido ou levado alguma batida






antes de cair na água.






10. As fotos anexadas ao inquérito só mostram






lesões na região superciliar esquerda.






11. As lesões foram apontadas como sendo






produzidas depois da morte, por animais











“marinhos”. Nivanildo estava num lago de uma






represa - existem animais marinhos ali, ou






houve um problema de digitação?






12. A análise da calota (porção superior da caixa craniana)






identificou uma “congestão difusa”.






O perito questiona o que querem dizer






com a expressão e qual seria a causa do






derrame de sangue, como é indicado pelo






termo “impregnação hemática”. Pode ter






sido uma pancada, uma queda,






ou uma batida, por exemplo.






13. O laudo não descarta a hipótese e nem






investiga a possibilidade de, antes de ter






se afogado, Nivanildo ter recebido uma






paulada ou sido pressionado para dentro






da água. Segundo o perito, a exumação






do corpo pode identificar se há ossos






fraturados na cabeça ou na face - um indicativo






de uma pancada. No caso de se






realizar uma exumação,






é aconselhável fazer a varredura






14. de todo o corpo com Raio X para






verificar se existe a presença de algum projétil.






15. Por que não foi feito um levantamento






dos últimos momentos de vida de Nivanildo?






Se ele havia bebido, onde bebeu? Com quem?






16. A quantos metros da barragem ele estava?






Qual a posição em que foi encontrado?






Por que não há fotos feitas por peritos no local?

NIVANILDO BARBOSA LIMA
(6 de fevereiro de 1968 - desapareceu






em 20 de julho de 1995






e foi encontrado morto






em 22 de julho de 1995)








Local e circunstâncias da morte: saiu de casa por






volta das 9h do dia 20 de julho de 1995 em






direção à Igreja do Perpétuo Socorro, onde






iria participar de uma reunião do jornal Ponto






de Encontro. Passou em frente ao Sindicato






dos Bancários e disse a amigos que depois






da reunião voltaria ao local. Seu corpo foi






encontrado boiando na represa PA-4 da






CHESF-Paulo Afonso, com ferimentos no rosto.






O laudo da necrópsia constatou






"afogamento por asfixia mecânica".








Provável causa: estava colhendo informações






sobre o crime organizado e escrevia artigos






para o jornal Ponto de Encontro








Suspeitos: o inquérito foi arquivado em






outubro de 1995. Com base no laudo






cadavérico, a morte foi considerada






“natural”. O Ministério Público pediu a






reabertura do inquérito em junho de 2002








FICHA PESSOAL








Lugar de Nascimento: Paulo Afonso, Bahia








Idade ao morrer: 27 anos








Estado Civil: solteiro








Educação: 1º Grau








Profissão/cargo: era redator do jornal Ponto






de Encontro em Paulo Afonso, na Bahia








Atividade Social/passatempos: gostava de jogar futebol








Outras atividades ou funções: era militante






do Partido Comunista do Brasil (PC do B),






assessorava sindicados e era ligado à Igreja Católica.








CRONOLOGIA








20 de julho de 1995 - Nivanildo Barbosa Lima






desaparece por volta das 9h, quando ia para a igreja








22 de julho de 1995 - O cadáver de Nivanildo






é encontrado na represa Paulo Afonso - PA-4 -






e o delegado Carlos Barbosa Sanches abre um






inquérito para apurar a morte








Agosto de 1995 - O laudo de exame cadavérico






feito pelo Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues,






de Salvador, indica como causa de morte






“asfixia mecânica por afogamento”








26 de outubro de 1998 - A juíza Maria






Auxiliadora Sobral Leite aceita o pedido de






arquivamento feito pelo Ministério Público








17 de junho de 1999 - A promotora de






Justiça Isabel Adelaide de Melo Andrade






pede o desarquivamento do inquérito,






devido ao surgimento de novas provas








20 de junho de 2002 - O promotor de






Justiça Hugo Casciano de Sant’Anna,






da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de






Paulo Afonso, pede o retorno do inquérito






para a delegacia, para que sejam






encaminhadas as diligências pedidas






pela promotora








Outubro de 2002 - O inquérito permanecia






no Ministério Público para ser novamente






encaminhado à delegacia de polícia








7 de novembro de 2002 - A promotora






de Justiça da 1ª Promotoria da Comarca de






Paulo Afonso, Izabel Cristina Vitória Santos,






solicitou informações sobre o caso para o






Coordenador Regional de Polícia de






Paulo Afonso, Celso Lima Bezerra








11 de novembro de 2002 - Bezerra






disse que o inquérito seria encaminhado






ao delegado de Paulo Afonso para dar






andamento às diligências solicitadas.







Agora leia atentamente o manifesto dos familiares e amigos desta que foi apenas uma das inúmeras vitimas deste elemento e seus comparsas.







Nivanildo Você não se foi



´´Um encontro



que foi um fiasco´´



vida que era a vida na visão



de um idealista como Nivanildo,



se não a oportunidade



de afirmação de suas convicções?



convicções as vezes



tão subjetivas e tão profundas



que nem mesmo sua família entendia.



Nivanildo levava tão á sério



a idéia de uma sociedade



sem opresão que o resto



ele relativisava. A família?



Diante da guerra da Bósnia?



Diante das crianças



morrendo na África?



ou diante da chacina de Vigário Geral,



A chacina da Candelária



ou das mortes do Carandirú? A vida?



Que segnifica a vida dos 8 milhões



de meninos de rua no Brasil?



Ou dianet dos 40 milhões que



passam fome e estão na miséria?



A sua família não estava errada.



Fizeram tudo que podiam a Nivanildo.



Mas ele era uma pessoa que tinha,



sobretudo, uma visão social muito ampla.



Porque denunciar militares



envolvidos no grupo de extermínio?



Porque Nivanildo achava



que acreditava que podia ter uma



Paulo Afonso melhor, lívre dos



´´vampíros selvágens, insaciáveis,



com a alma emporcalhada



de pecados, o corpo debilitado



pelo veneno da maldade e



a mente podre de devasidão´´.



Como bem escreveu Aníbal Nunes,



lembrando outro assacinato



envergonhando a querida Paulo Afonso.



Embora jovem sua convivêncvia



com os movimentos populares



[militante político,



fez parte de entidades estudantis,



participante em Associação



de moradores, assesorava sindicatos,



representante do comitê



da cidadania contra a Violência pela Paz]



o tornara alvo dos bandidos,



criminosos e assacinos



travestidos de empresários,



políticos e policiais, todos eles



conhecidos da população de Paulo Afonso.



No dia 20 de julho de 1995 desapareceu



Nivanildo para ser encontrado



3 dias depois morto. morto?





´´sozinho no escuro qual



bicho do mato sem teogonia



sem parede prá se



enconstar sem cavalo preto



que fuja a galope



você segue José,



José para onde?



se você gritasse



se você gemesse



se você tocasse A valsa



vienese se você



dormisse se você morresse



Mas você não morre



josé você é duro José´´...



Nós os cristãos sabemos



que a verdadeira vida



vem depois da morte.



Por que ficar calado.,



por tanto, vendo as



injustiças perante nós?



por isso esse bando de



extermínio tinha que ir para a cadeia.



Por isso ele relatizava a vida.



A ninguém pertence o destino da vida



senão á Deus. A ele cabe



a decisão de quem vai viver



e de quem vai morrer.



Por isso Nivanildo se levantou



contra os últimos atos de violência



que envergonharam Paulo Afonso.



o assacinato do Jovem Jair Andrade,



o processo de afastamento do



Capitão Carvalho Lima, o asacinato dos



lavradores Elizeu Barbosa e



José Manoel, o assacinato da jovem Gildineide,



a violência do estado ao cidadão,



enfim ele se levantou contra



toda forma de violência.



Vamos sentir muito sua falta.



Nivanildo;familiares, amigos,



companheiros e população.



Mas acreditamosna sua causa,



acreditamos na justiça divina,



sabemos que sua mensagem



cauiu na boa terra e ela vai



germinar, vai crescer, vai revolucionar,



vai transformar, vai mudar



Paulo Afonso. Por isso você não morreu,



você vive. Obrigado querido Nildo.



OBS: Texto de Gezival Texeira



Lima[primo de Nivanildo]



Caixa Postal-09-Cep-29930-000



São Mateus-Es.



OBS: VEJA AS FOTOS DA VÍTIMA VIVA E MORTA ACIMA.


OBS: Aguarde novas historias de mais vítimas deste elemento.

Em breve!!!..

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